A hora do desmame
O desmame é uma das etapas da amamentação. Mas a amamentação, por sua vez, não é apenas uma fonte de alimentação para o bebê. Aliás, este é um conceito bem limitado. O leite, em si, contribui para a saúde física e psíquica do pequeno, mas o aleitamento materno é uma ação ampla, complexa e subjetiva no processo de desenvolvimento humano.
Por isso, essa ação não deve ter uma data pré-determinada para acabar, deve ser absolutamente natural, em um momento geralmente consentido pelo próprio bebê. A vida é um eterno desmame: do útero, do seio, de casa, da escola, do trabalho – exige preparo de transição. Interromper um estágio importante como este, antes da hora, pode afetar o emocional da criança e isso não significa torná-la independente.
Quando deve ser o desmame?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o período natural de aleitamento materno para a espécie humana seja até os 2 anos ou mais, sendo a única fonte de alimentação do bebê até os 6 meses de vida.
O desmame precoce pode contribuir para quadros de rejeição e insegurança das crianças e ingurgitamento mamário, bloqueio de ducto lactífero, mastite e depressão das mães. No Brasil apenas um terço das mulheres seguem essa recomendação e os motivos vão desde a dificuldade de conciliar com a rotina diária até a crença de que o ato vai prejudicar psicologicamente os filhos.
O autodesmame da criança
Em um processo ideal e natural, a criança se autodesmama, sob a liderança da mãe e isso costuma acontecer até os 4 anos – o que ajuda a fortalecer a relação entre mãe e filho.
Os primeiros sinais de amadurecimento do bebê para o autodesmame começam quando o interesse pelas mamadas diminui e a criança passa a se interessar por outros alimentos e outras formas de consolo, além de outras atividades em vez de somente mamar. Este é o momento em que a mãe pode começar a desencorajar as mamadas e o filho naturalmente demonstrará menos ansiedade.
Mas atenção: caso o bebê rejeite o leite ainda no primeiro ano de vida, raramente se trata de desmame, mas de algo errado, como doenças, estresse, alteração no sabor ou no volume do leite, etc. Peça ajuda ao pediatra se for este o caso.
Desmame conduzido
É importante seguir o instinto natural da criança mas, ao mesmo tempo, não deixá-la dominar a situação. Há técnicas para incentivar o desmame e elas variam de acordo com a idade. Crianças maiores, por exemplo, podem participar do planejamento. Já as menores carecem de mais compreensão e atenção porque podem encarar o desmame como uma perda.
Então é importante que a estrutura familiar, seja qual for, esteja bem sólida; que poucas mudanças aconteçam simultaneamente (novo irmão ou nova casa, retirada das fraldas, etc) e que todo o processo seja feito gradualmente, com cuidado e negociação.
Fonte:Medical Site
18 de Abril de 2019
